sexta-feira, 29 de abril de 2016

Como fui arrebatado pelo teatro - Por Rogério Nagai


Rogério Nagai
Tudo começou na cidade de Santos-SP no final do ano de 1999 onde fiquei sabendo que o grupo TEP - Teatro Experimental de Pesquisas da Universidade Santa Cecília (Universidade da qual eu cursava na época) estava selecionando estudantes e atores para compor o elenco do grupo. Nunca tive experiência alguma com teatro, mas como na época eu estava necessitando melhorar minha timidez e postura para no futuro ser benéfico profissionalmente, fiquei interessado naquele cartaz falando da audição do TEP no corredor da Universidade. Curioso como sou, fui para a tal audição e me deparei com pessoas de diversas áreas e até atores experientes. 

Sem saber do resultado, no ano seguinte fui buscar fazer um curso de teatro básico para procurar saber mais a respeito sobre essa área até então desconhecida para mim e me inscrevi no curso básico de teatro do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos. Durante cerca de 6 meses trabalhamos diversos exercícios e jogos teatrais e a cada final de semana a diversão e descoberta era sempre garantida. No final desse processo montamos como conclusão de curso o espetáculo "A Falecida" de Nelson Rodrigues.

Tomei gosto pela coisa e me senti então preparado para fazer parte do grupo TEP, no qual fiquei durante 2 anos. Foi no TEP que fui arrebatado pela experiência sagrada do fazer teatral, da consciência e responsabilidade que um ator tem perante a seu público como questionador e formador de opinião. No TEP passei por uma revolução pessoal muito grande:  revi e quebrei preconceitos, chorei, ri, debati, ouvi, experimentei e construi não apenas cenas e espetáculos, mas amizades duradouras e conceitos enriquecedores para o resto de minha vida. Trabalhávamos com teatro de rua, palco italiano, manipulação de objetos, sombras, máscara neutra e isso só ampliava e enriquecia minha experiência e consciência do que era o fazer teatral.

Em uma dessas passagens pelo teatro de rua, não posso deixar de falar sobre um fato importantíssimo para mim. Fazíamos performances dentro de ônibus coletivo pela cidade e sempre me lembro de uma passageira que recebeu uma flor oferecida por mim, juntamente com canções populares que cantávamos nessas performances. Ao oferecer a flor, imediatamente seus olhos se encheram de lágrimas emocionada com o gesto do carinho que o teatro e as canções proporcionaram a ela. Naquele momento eu fui arrebatado pelo teatro e não conseguia mais continuar com a performance, tamanha era a emoção de ver tudo aquilo que estava tocando o coração daquela senhora e a mim também. Isso foi muito marcante para mim e acho que também contribuiu para eu pensar no futuro continuar tendo essas experiências enriquecedoras e humanas. Nunca mais saí do teatro!

Rogério Nagai é ator, diretor e produtor teatral


sexta-feira, 25 de março de 2016

Como fui arrebatada pelo teatro - Por Nicole Puzzi





Na minha infância no Paraná, meu pai levava toda a família ao circo. Era um acontecimento a chegada dos artistas. Tinha desfile na cidade, chamada no alto falante da igreja e muito burburinho.

O que me fascinava no circo, não era o palhaço nem malabaristas, eram as tais representações no palco. 

Eram atores circenses com roupas diferentes e que contavam uma história. Uma história que eu repetia inteirinha em minha mente, antes de dormir.

Foi esse o início da minha atração pelos palcos.


Nicole Puzzi é atriz e protetora dos animais



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Como fui arrebatado pelo teatro - Por Luiz Carlos Bahia


Luiz Carlos Bahia
Tudo começou quando eu tinha 13 anos, comecei a fazer teatro atuando e escrevendo, no ginásio Góes Calmon, em Salvador, por incentivo da querida professora de português, Iolanda Testagrossa. Comecei a fazer teatro e música, ao mesmo tempo. 

Depois eu fui para o Grupo de Teatro do SESC, em Salvador, aí entrei na Escola de Teatro da UFBA, no curso de Formação de ator. Depois fui para o Rio de Janeiro, em janeiro de 1974.

Sempre acreditei no Teatro como elemento transformador e politicamente, importante para uma visão do " IGUAL " em nossa sociedade. Hoje eu estou um tanto decepcionado  com algumas posturas , de alguns atores que, eu pensava, tinham um comprometimento social mas, não, era só profissionalismo, dinheiro, grana mas, felizmente , existe um grande movimento de Grupos que não deixam a peteca cair e isso me faz muito feliz. 

O teatro me invadiu e fez morada. É isso. 

Luiz Carlos Bahia é ator, poeta e cantor




sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Como fui arrebatada pelo teatro - por Nica Bomfim


A atriz como Dona Nenem, na novela
Além do Tempo (TV Globo)
Eu fui ao teatro desde muito pequena, antes do que posso lembrar. Minha mãe era jornalista e ganhava ingressos para todas as peças, sobretudo as do Tablado. Eu adorava e tentava fazer em casa, ensaiando meus irmãos,  primos e até a babá. 

Improvisava cenário, figurinos, cortina, arrumava as cadeiras para a plateia e convidava a família. 

Mas esse meu elenco era muito indisciplinado e o público ria mais dos erros do que das piadas! 

Participava das peças no colégio e nas bandeirantes,  mas só de brincadeira. Nunca havia me passado pela cabeça fazer disso profissão.  Me preparava seriamente para cursar Matemática,  minha paixão! 

Até que, no ano do vestibular, uma amiga (a atriz Xuxa Lopes) estava ensaiando sua primeira peça profissional  - "Rudá", um elenco jovem, dirigido pelo José Wilker. Comecei a assistir aos ensaios e me tornei uma "rudete". Convivendo naqueles bastidores, mergulhada na magia do teatro, entendi que não queria sair de lá nunca mais! Então me matriculei, na moita, no curso preparatório da Escola de Teatro Martins Pena. No final do ano, fiz as duas provas : Matemática  e Teatro. Passei nas duas. No ano seguinte, já cursando, deixei a Matemática para trás e fiquei só com o Teatro...

Mas continuo amando os números e a lógica; estou sempre brincando com eles! E brincando de "faz de conta", seja no palco ou diante das câmeras.  E brincando de bonecos, porque também sou artesã - faço peças em papelagem e papel-machê. E brincando na internet, onde lanço desafios, tendo bonecos como prêmio. Resumindo: minha verdadeira vocação é brincar!

Nica Bomfim é atriz e artesã