quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Teatro sem tempo - por Rita Brafer

O teatro as vezes fica sem tempo, pior, fica com o tempo que sobra. E não estou falando de espectadores, estou falando de ator. De pessoas que dizem "poxa, como eu amo teatro". O que é muito triste.

É fato que é muito difícil sobreviver do ofício de ator, uma minoria tem esse prazer, esse privilégio e a grande maioria não. Então algumas pessoas desistem, outras sobrevivem (financeiramente falando) com o pouco que conseguem ganhar com o seu ofício, outras partem para empregos secundários.

Alguns partem para empregos secundários e continuam sendo atores, lutadores, que acreditam que um dia seguirão somente a profissão que escolheram e não abandonam em momento algum o teatro, o ofício de ator e não o relegam jamais a segundo plano. Talvez possuam uma certa covardia e não se arriscam em viver com o pouco que conseguem ganhar com o teatro, talvez porque precise sustentar alguém mais que não somente ele, enfim. Mas o teatro é seu ofício, o seu amor e tem toda a sua dedicação.


E aí... tem o ator do teatro sem tempo... É aquele cara do "poxa, como eu amo teatro", "não vivo sem teatro" mas relega o ofício de ator ao tempo que resta. Ele também tem um emprego fora do teatro mas é o teatro que fica com o tempo que resta... SE restar. Se não surgir nenhuma balada, almoço de família, batizado, jogo de futebol, chá de bebê, feriadão, enfim, qualquer coisa que possa ocupar seu tempo restante. Para esse ator o teatro é um hobby. E é esse o ator que me irrita, me ofende.

Sei e sinto na pele que as vezes (inúmeras vezes) é preciso se ter uma fonte de renda para sobreviver financeiramente enquanto buscamos as condições de "viver de teatro" também no lado financeiro. E acredito ser possível conciliar. Mas o teatro não é e não pode ser tratado como hobby, como segundo plano.

Penso que é exatamente esse ator que optou por ter um outro emprego além do ofício de ator que precisa de maior entrega ao teatro, que precisa se dedicar com maior afinco, que precisa respirar, comer, cheirar teatro "25" horas por dia. Caso contrário ele relega o teatro ao tempo restante, o que não acho justo com o teatro e nem com os atores de alma.

Entre esse cara do "tempo restante" e o cara que desiste, meu respeito ao que desiste.

Me irritam atores que dizem "poxa, como eu amo teatro", "não vivo sem teatro" e que estão sempre arrumando desculpa para uma dedicação pífia, ridícula. Aceitam entrar em projetos para atuar (porque afinal amam o teatro!) mas estão sempre "sem tempo" para uma dedicação decente ao que se propuseram, mesmo que seja fora do horário do seu emprego/financiamento. Não tem tempo para estudar texto (poxa, eles trabalham muito!). Não podem viajar com a peça porque não dá para faltar no trabalho. Mas... se aparecer uma baladinha básica viram a noite e faltam no emprego no dia seguinte. Basta aparecer uma viagem com os amigos que pedem "um dia" pro chefe... Mas se for pro teatro... "pô, não dá, eu trabalho né."

Esses caras são pavões que adoram estar no palco se exibindo. Adoram elogios do tipo "Bom esse ator". Bom? Será mesmo?

No caso desses caras o tempo que resta para o teatro é cada vez mais curto e qualquer frieira faz esse tempo ficar ainda mais curto, mais curto, mais curto... Ah! Mas eles amam o teatro!!!!

Amam é? Então entreguem-se!!!! Se joguem!!! Mergulhem no fazer teatral!!!!

Ou desistam.

Rita Brafer
24/10/2013


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Como fui arrebatada pelo teatro - por Angela Ribeiro

Como em Belém, na minha infância, as pessoas não tinham muito o hábito de levar seus filhos ao teatro (até por não terem muitas opções), meu contato foi mesmo na escola, fazendo teatro, dançando. :)

Quando criança, sempre gostei de criar personagens imaginários.
 
Inventava, pegava as roupas da minha mãe e fazia apresentações em casa para a família, até que um dia, em uma feira da cultura da escola, tivemos que fazer uma peça de teatro "de verdade", meu personagem era a lua. Devia ter uns 11 anos quando comecei a ler, pequenina, aquele texto. Meu coração começou a bater tão forte e senti um nervosismo bom misturado a uma alegria tão grande e inexplicável que pensei ali que queria fazer aquilo até morrer.
 
E, graças a Baco e as transformações que a arte me presenteou durante a vida, é assim que penso e me sinto até hoje.  Evoé.

Angela Ribeiro é atriz


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Como fui arrebatada pelo teatro - Por Carolina Costa

Eu ia ver espetáculos com a escola, mas nada muito incrível, achava legal, mas nunca me imaginava no palco. E com minha família, ia mais ao cinema.
Não sei dizer exatamente porque comecei a fazer teatro, só sei que fui.
Fui levada por uma amiga da adolescência a fazer um curso livre de teatro, achava que seria divertido, mas nunca pensei em ser atriz.
Tudo era muito bom, as aulas, os jogos, a descoberta do corpo e das possibilidades infinitas da criatividade foram me transformando na vida. Eu me tornei melhor fora de lá, fiz amigos maravilhosos e com certeza minha vida ficou mais feliz.
O professor dessa escola me disse que quando eu subisse no palco pela primeira vez eu nunca mais iria querer descer.
Dito e feito, foi fantástico!
Brincar de contar uma história fazendo de conta que era outra pessoa com muitas pessoas que eu nunca tinha visto na vida assistindo tudo, foi arrebatador.
Depois disso, busquei o teatro como profissão e descobri muito mais dessa arte tão gostosa e incrível.
Apesar das dificuldades, como tem toda profissão, não faço outra coisa, sendo atriz ou professora, minha vida é teatro todo dia.

Carolina Costa é atriz e professora de teatro