quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Como fui arrebatada pelo teatro - por Rachel Ripani


Como Lucy na peça Drácula
Minha 1ª experiência com teatro foi aos 10 anos, minha querida avó e minha tia Lilia compraram ingresso para eu assistir "O Mistério de Irma Vap" - elas tinham ido antes e acharam que eu ia gostar muito, já que eu já fazia teatro amador no colégio. Elas me deixaram na porta (era caro assistir de novo, por isso eu fui só), e sozinha, sentada na platéia do Procópio Ferreira tive uma epifania. Eu ri tanto, e na companhia daquele teatro lotado, fiquei tão feliz, que tive certeza de que se fizesse alguém tão alegre quanto eu me sentia naquele momento eu seria uma pessoa realizada. E é o que venho tentando fazer desde então, e não pretendo parar!

Rachel Ripani é atriz


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Como fui arrebatado pelo teatro - por Giuseppe Oristanio


Nem tive tempo de escolher o Teatro, de ter a angústia ou a ansiedade da busca, de viver o dilema de ser ou não ser ator. O Teatro me escolheu tão cedo e tão definitivamente que tudo aconteceu mesmo antes de eu conhecer o real significado dessa tarefa que é o ato de representar. Eu tinha 13 anos e a primeira vez em que pisei num palco, aquilo nem era um palco. Era uma salinha de conferência do Hospital das Clínicas de São Paulo. Eu fazia o Pedrinho do Sítio do Pica Pau Amarelo para crianças da ala de ortopedia do hospital - todas engessadas, quebradas, imóveis em suas talas. Quando a peça começou e o meu momento de entrar em cena se aproximava, bateu um enorme pavor - um enorme pavor. Eu disse ao nosso diretor, que, vestido de porco, fazia o Rabicó: - Eu não to lembrando de nada. Eu esqueci tudo, tudo! Mesmo vestido de porco, ele me olhou nos olhos, sereno, e me disse: - Quando chegar a sua hora, você vai lembrar, fique tranquilo. A hora chegou e eu me lembrei mesmo. Hoje, 41 anos depois, dezenas de peças depois, ainda lembro disso com o frescor do momento, como se ainda sentisse o mesmo pavor que ainda me assalta eventualmente. Depois me lembro do primeiro palco de verdade, em 1972. Teatro Brasileiro de Comédia. O cheiro, as coxias, os refletores emitindo sua luminosidade e quase me cegando de paixão e magia. A vida mudou e as experiências se sucederam uma após a outra. As longas temporadas de sucesso e os retumbantes fracassos formaram em mim os calos que só a quilometragem de palco pode nos dar. Assim como já fiz temporadas de 5 anos ininterruptos, já ensaiei 6 meses para fazer apenas um único espetáculo de estreia e nada mais. Agora estou há quase 4 anos fazendo Doidas e Santas. Escrevendo este texto, aqui de Salvador, onde estamos hoje, trabalhando para o público da Bahia, sinto o mesmo arrepio do primeiro dia, o mesmo frisson da estreia, o mesmo pavor que só o sucesso e o fracasso nos proporcionam. E muitas vezes, bate a mesma insegurança de esquecer de tudo bem no meu momento de entrar em cena. Nessas horas, a mesma voz guardada até hoje dentro de mim aparece para me dizer: - Quando chegar a sua hora, você vai se lembrar, fique tranquilo. E a magia do teatro se repete, dia após dia, como tem acontecido nesses últimos 41 anos. E, sem nenhuma demagogia, espero viver esse pavor e esse prazer até meu último dia. É um privilégio. Para pouco, para poucos.

Giuseppe Oristanio é ator