segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Caravana da Ilusão está na estrada!


Gratidão a todos que estiveram presentes nas apresentações no Circuito Profissional Macunaíma.
Em breve em novo teatro!



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Como fui arrebatada pelo teatro – por Karina Zichelle


Ao ouvir a palavra teatro, a lembrança mais antiga, guardada no fundo da minha cachola, é a de uma peça infantil chamada “O Palácio Não Acorda”, que assisti numa excursão com a escola lá pelos meus nove, dez anos de idade. Recordo-me da fila para subir para o ônibus (creio que foi o meu primeiro passeio escolar), da entrada do Teatro Arthur Azevedo, dos meus colegas, mas, da peça em si, apenas um borrão de uma única cena, uma imagem fixa, como um quadro impressionista. Não consigo dizer se gostei ou não da peça, mas esse episódio causou  uma inquietação cá dentro que só iria aumentar.

Desde essa mesma terna idade, tinha a certeza de que um dia seria atriz, minha brincadeira predileta, ao lado de minha irmã e de minhas amigas era “brincar de teatro”. Escolhíamos um tema, distribuíamos os personagens e começávamos os “ensaios” improvisados, e a partir deles construíamos a pecinha, que dali umas horas, ou no dia seguinte, apresentávamos para nossos pais. Escolhíamos o figurino com o que tínhamos no guarda-roupa, arranjávamos alguns apetrechos e, voilá: dávamos início à magia! Durante algum tempo continuávamos a representar a mesma peça, e quando uma nova amiga ia nos visitar, ensinávamos a peça para ela também. Lembro-me de três peças: uma sobre Cleopátra, a rainha malvada do Egito que confiscava os bens de seus cidadãos e terminava presa; outra sobre a aventura de duas irmãs para resgatarem sua prima sequestrada pela vampira que assombrava a cidade, e a terceira sobre uma família de ricas esnobes. Quanta imaginação!! Não sei porque, mas eu era sempre a vilã: Cleópatra, Vampirina e Stephanie (a patricinha arrogante). Como fazer teatro parecia simples naquela época! E era. Posso dizer que foi aí, em meio à brincadeira na sala da casa de minhas amigas, que fui arrebatada pelo teatro.

Essa vontade de ser atriz e contar histórias foi alimentada durante minha adolescência pelo cinema, e confesso que pouco frequentava os teatros da cidade. Durante muitos anos, essa certeza era tão forte que parecia inevitável sua realização, sem que nada eu precisasse fazer para lográ-la. Ledo engano. Aos dezenove anos de idade, já na faculdade, porém, o cenário se modificou. Recordo-me de estar no topo do “Morro da Coruja” (no Instituto de Física da USP), numa tarde fresca de primavera, quando tive uma epifania: não podia mais esperar a sorte bater à porta, era preciso desbravar o mundo! E assim, no meio do verão seguinte, matriculei-me no curso de Teatro e, por Dionísio!, fui arrebatada pelo Teatro a cada nova aula, a cada novo ensaio, a cada novo texto lido, a cada nova pessoa que conhecia, a cada nova peça que assistia...

Minha vida seguiu em direção a esse vórtice delirante, apaixonante e viciante que é o Teatro. Estar nos palcos é de uma beleza divina! Seja atuando, dirigindo, iluminando, assistindo ou lecionando, pois quando os aplausos ecoam pelos bastidores, a plateia se esvazia, as luzes descansam e as cortinas se fecham, um suspiro leve ecoa peito adentro: estou em casa...

Karina Zichelle é atriz

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Como fui arrebatado pelo teatro - por Tiago Leal



Quando criança , ainda em Jaguarão , interior do Rio grande do Sul,   brincava em um quintal que dava para os fundos de um teatro enorme,lindo e desativado, assim como vários outros do interior gaúcho. Eu e outros amigos
Escalávamos e brincávamos nas janelas ate que um dia , tentando pegar uma pombinha, entrei, sem conseguir sair... Fui salvo por um senhor, que tomava conta do lugar. Acho que era uma espécie de guarda ou coisa assim. A partir dai ele deixou que eu e toda a mulecada brincassemos no teatro, quase em ruínas e , mesmo assim, lindo.

Fiquei fascinado por aquele lugar. Eu voltava sempre lá e não conseguia entender direito para que servia. O vigia, com seu jeito tosco tentava me fazer entender o que seria e para que servia um  palco . Acho que ele também não sabia (risos).

Lembro dele falando que os atores contavam estórias. E eu perguntava: É legal?. E ele dizia: Não, é muito chato...(risos)

Anos mais tarde, em Porto Alegre, já com 16 anos fui assistir um espetáculo da Bia Lessa. Orlando, com a Fernanda Torres e vi que aquele velhinho,embora meu salvador, estava errado. Não havia nada de chato e era aquilo que eu queria fazer.

Tiago Leal é ator