quarta-feira, 18 de junho de 2014

Como fui arrebatado pelo teatro - por Silvio Tadeu

Sempre  difícil... é assim que começo.

Sempre difícil  voltar ao passado, falar ou escrever, sobre assuntos que foram catalisadores em nossas vidas, que mudaram o nosso rumo.

Falar sobre isso, sem sentir o famoso “nó no estômago", sem o peito disparar, e ainda sentir que essa magia ainda existe, a que permaneceu no primeiro dia!

Falar da forma como o teatro entrou em minha vida.


Aceito o desafio.


O ator como Creonte no espetáculo Édipo Rei em 2002


A que seria uma primeira vez, não deu certo. Era um domingo de uma manhã  ensolarada .
Como todo bom garoto, possuidor dos seus seis ou sete anos, na rua, em frente de casa, quando meu pai e minha irmã, saíram muito bem vestidos, e meu patriarca, me convidou para irmos ao Teatro Municipal, assistir uma apresentação, não lembro se era de balé ou ópera. Recusei o convite. Adiei a  oportunidade de conhecer “a minha casa", pois achei, na minha infantil concepção, que esse tal  “ teatro”  só poderia ser mesmo muito chato, pois em pleno domingo de brincadeiras, eu iria por roupa bonita, e me privar da  diversão !

Anos se passaram,  creio que em 76 ou 77, mais uma vez, meu pai,  espectador assíduo de um extinto programa da TV Cultura, “Teleteatro" , onde alguns espetáculos eram editados e formatados para a telinha, e quem não tinha o poder aquisitivo de  pagar um espetáculo de teatro com qualidade, era contemplado com um espetáculo “em casa “ .

O primeiro que assisti, por acaso, não por interesse confesso, foi  “A Ratoeira" de Agatha Christie, em um elenco estrelar, como Pepita Rodrigues, Carlos Eduardo Dolabella, Edwin Luise.

Acostumado ás interpretações noveleiras, me chamou a atenção o trabalho de Edwin Luisi, num trabalho impecável como Cristopher Ross, o jovem carente e perseguido na cena do crime.
Ficou marcado .

O próximo foi meu grande divisor de águas:  “ O Santo Inquérito “ de Dias Gomes, com Regina Duarte no papel absoluto de Branca Dias .
Uma pergunta em mim ficou :  fazer teatro  é isso? 
Contestar com  pureza, força e ingenuidade as pressões que sofremos, e ainda fazer isso com arte ?

Nunca podia imaginar que seria isso !

Ficou em mim não mais a curiosidade, mas a certeza!

Queria saber mais sobre  isso .

Mais um salto no tempo, ano acho que de 1982.
Estava no Colégio, quando passaram nas classes com o aviso : “Alunos que  queiram integrar o grupo de teatro do colégio, comparecer no próximo  sábado ás 14 horas". 

Pronto! Surgiu minha oportunidade!

Grande  ansiedade, finalmente chegou o sábado.

Lá estava eu, e o grupo era grande.

Não entramos... portões de acesso ao teatro fechados!

Segundo explicações, alguém da diretoria, não havia enviado a circular, autorizando a abertura da escola nesse sábado, portanto não haveria reunião do grupo .

Grande revolta .

Frustados, fomos ao bar, afogar as mágoas na cerveja.

E mesmo assim, sem ter entrado no espaço físico, conheci o que viria a ser, um “ grupo de teatro”.

Estava acostumado com a turma de garotos, que só falavam de festas e garotas, mas aquelas pessoas eram  diferentes . O assunto era  MPB, Rock, Filosofia, Política ...me sentia em casa e motivado a prosseguir a descobrir ainda mais  sobre esse tal “ teatro".

Próximo sábado, nova reunião do grupo, desta vez, com os portões abertos, e o teatro idem ...quando entrei, naquela platéia escura, e uma energia, que ainda sinto, todas as vezes que entro em um teatro, vi que era um assunto sério , ao menos  para  mim.

Duas peças fora cogitadas de serem montadas por esse grupo, uma deles, escrita por um professor de matemática, um nordestino, também compositor, que explorava em seu texto, as mazelas do seu povo de origem, sofredor da seca e da falta de perspectiva.

E religiosamente, todos os sábados ás 14 horas, era o dia religioso do teatro, onde eu me entregava com prazer aos exercícios físicos, intelectuais e espirituais .

O grupo não vingou, como todo grupo amador,  onde nem todos agarram o compromisso, mas a semente em mim ficou e  para sempre e até hoje .

Os anos se passaram, muitas escolas, grupos, e estudos, até os dias atuais, onde fiz da Arte Cênica, minha forma de viver, em 2001, fundei minha própria companhia de teatro, o Ágata.

Tenho orgulho também de ter trabalhado com diretores importantes no nosso cenário como  Antunes Filho, Gabriel Veiga Catellani, Juçara Moraes, Dulce Muniz, Roberto Aschcar, Elio Marios Defterios e ter contribuído na formação de muitos artistas, que hoje estão aí, no mercado, ajudando a conduzir a nossa chama.

Essa é a minha história .

Contem outras por favor .


Silvio Tadeu é ator
silviotadeu.blogspot.com.br


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Como fui arrebatado pelo teatro - por Tadeu Di Pietro


Comecei com seis ou sete anos de idade, quando ia viajar e acampar com amigos patrulheiros(uma espécie de escoteiros), e todas as noites tínhamos várias atividades para entreter o grupo em volta da fogueira. Eu e os amigos achávamos super divertido contar histórias, cantar , fazer piadas ou contos de terror, brincando com os fatos e assuntos do acampamento. Era uma aventura tão divertida, que ficou na lembrança prá toda vida e deixou uma vontade danada de voltar a brincar disso. Passaram-se mais de vinte e cinco anos com a vida desviando o curso para estudos, trabalhos,família etc. até que um dia depois de tanta estrada ,a vontade de brincar daquele jeito ficou tão grande ,que tive de procurar alguns amigos para viajar vidas e es/histórias. Foi aí que me entreguei seriamente e descobri o nome dessa brincadeira : - Teatro e a fogueira : - Palco... E a propósito.., continuo adorando contar histórias... Viva Dionísio!

Tadeu Di Pietro é ator