quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Como fui arrebatado pelo teatro – por Paulo Barros




Minha família costumava a passar o final de ano na casa de uma tia minha, em Guarulhos. Íamos todos os anos para lá.
Num determinado ano, acho que com 5 ou 6 anos de idade, minha tia, juntamente com meus pais, nos levaram, meus irmãos, primos e eu, para assistir uma peça num pequeno teatro próximo ao Lago, na Vila Galvão, teatro Nelson Rodrigues.
Me lembro muito pouco da história e não me lembro do nome, mas o que me marcou foram os atores. Fiquei impressionado como eles conseguiam “fazer” aquelas pessoas, aqueles animais (minha maneira simples de entender). Era mágico! Em especial me lembro de um ator que se destacava dos outros.
Quando acabou o espetáculo pedi ao meu Pai que me levasse para conversar com o elenco, e quando falei com esse ator perguntei seu nome e ele me respondeu: Rogério. Aquele momento era muito especial, estava eu conversando com um ”Artista”. Fiquei pensando: “Será que ele mora numa casa normal, como a minha?”. Não poderia ser! (rs). “Pessoas assim deveriam morar em casas diferentes, divertidas!” Então não me contive, perguntei: “Onde você mora?” E ele me respondeu: “Na Bela Vista”. Perguntei para meu pai “onde é a Bela Vista?” Ele me disse “Ah! É muito longe!”. Morávamos em Osasco nessa época. Bem! Fomos embora.
Muitos anos depois estou eu morando no “Bixiga”!! Não vim para a Bela Vista por esse motivo, é claro! Mas sempre me lembro desse momento de minha vida.

Paulo Barros é ator


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Como fui arrebatado pelo teatro - por Wanderley Salgado


Na Ópera Cavalleria Rusticana
A primeira lembrança que tenho de teatro, aconteceu por volta dos meus 7 anos de idade na escola, quando fui escolhido para declamar uma poesia no dia das mães. Além de descobrir a minha facilidade para decorar, encontrei prazer nos aplausos das pessoas que prestigiaram aquela apresentação.
Em minha adolescência fiz teatro no ginásio. Nessa época, meus professores fizeram uma performance da música "Eu sou Free" da banda Sempre Livre. Eu amei aquela apresentação e foi a primeira vez que pensei: "Eu quero isso pra minha vida!".

Após alguns anos consegui vir à São Paulo a fim de ingressar na faculdade e estudar teatro.
Aproximadamente há um mês morando aqui, na casa dos meus tios, consegui me inscrever num curso de teatro amador, porém meu tio disse: "Se fosse filho meu, não deixaria fazer". Como vim para isso, ignorei esse comentário e fui batalhar pelos meus sonhos.

Segui minha vida, trabalhando, fazendo faculdade e sempre estudando teatro. Lembro que o dinheiro era pouco e o tempo também, mas não abria mão de estar aos sábados e domingos batalhando pelo meu sonho de ser ator.

Somente após alguns anos, trabalhando em uma empresa e recebendo um bom salário, consegui fazer um curso profissionalizante no Teatro Escola Macunaíma, onde aprendi muitas coisas e, principalmente, a valorizar o processo de montagem de uma peça com as professoras Einat Fabel e Mônica Granndo.
Ao sair do Macunaíma, não queria perder o contato com o teatro, então fiz uma oficina com o grupo Os Satyros, onde descobri o que é ser um ator criador. Lá fiquei por 4 anos e fiz parte do NES (Núcleo Experimental dos Satyros), no qual tive excelentes professores, dentre eles, Roberto Audio, que sabe muito bem como lapidar um ator.

Em 2008, nós, os atores que fazíamos parte do NES, formamos a "Cia Bruta de Arte" e seguimos, desde então, na arte do fazer teatral.

É importante mencionar que pela primeira vez, em dezembro de 2007, por estar apaixonado e com planos de me casar, resolvi deixar o teatro por ciúmes da namorada, mas isso não demorou muito. Em março de 2008 estava de volta para o meu grupo fazendo o que me deixa feliz, atuar. Foi nesse período que o mestre Paulo Goya me disse que "quando o bichinho do teatro entra no seu corpo, independente se você é um bom ou mau ator, ele ficará por toda a vida".

Para mim, o ato de representar é como o de cantar em um coral, no qual a música te dá a sensação de êxtase, uma ligação com o divino, o que não tem explicação.


Wanderley Salgado é ator

Esse mês o ator está em cartaz no Teatro Municipal de São Paulo com a ópera "Salomé" e em outubro retorna ao mesmo teatro como o mafioso na ópera "Cavalleria Rusticana".