sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Como fui arrebatado pelo teatro - por Mauro Schames


O ator em Romeu e Julieta - direção de Marcelo Lazzarato
Quando eu era adolescente, 16 anos, fazia teatro amador em Porto Alegre.  Eu estava no final de uma apresentação e um senhor, acho que ele se identificou como Judeu Polonês, se aproximou, me chamou e disse que havia sido ator na Europa, mas saiu de lá por causa da guerra. Me cumprimentou pelo trabalho, me fez alguns elogios e me disse que eu poderia ser um grande ator. Não levei muito a sério. Me mudei para São Paulo e depois viajei para Israel onde me formei em Agronomia. 

Voltei 5 anos depois. 

Um dia eu estava no Guaruja sentado com uma vizinha e sua  filha na praia. Elas eram mineiras e eu sempre me sentava ali. A filha era deslumbrante...  E entre conversas, cervejas e devaneios elas me perguntaram porque, com todos aqueles meus questionamentos e idéias eu não entrava para o teatro. Naquele momento, depois de 10 anos, a primeira imagem que tive foi do senhor polones me chamando no palco. Acho que a vida é assim. Algumas pessoas passam por nós e nem imaginam a revolução que causam.

Ali lembrei também da primeira vez que o teatro havia me deixado em extase. Foi uma apresentação de "O beijo da mulher aranha", com Rubens Correa. Ele sentado num beliche e movendo o pé como se fosse o rabo de um gato. No teatro Ruth Escobar.

E já se passaram 25 anos.

Mauro Schames é ator